Eu tenho um colega de longa data que tem muito medo de altura, uma espécie de vertigem. É um cara que não chega perto de parapeito de janela, porque as pernas começam a tremer. Há anos, ele me diz que sente isso desde criança e lamenta ter perdido muitas oportunidades legais de fazer coisas diferentes por conta desse medo pré-estabelecido. Antes mesmo de tentar, sabendo que sentiria medo, ele tomava a decisão de recusar experiências ou fazer coisas simples, como, por exemplo, vivenciar uma experiência numa montanha russa, coisa que ele nunca teve coragem de fazer… até encarar uma aventura que mudou a sua vida.
Há cinco anos, numa sexta-feira, ele me chamou para almoçar, porque tinha algo para contar. Disse que havia decidido realizar algo radical para romper a tal síndrome do medo de altura. Olhei para ele com cara de desconfiança e falei: “Okay, mas e aí? O que você vai fazer?”. Ele sorriu um sorriso nervoso, sem graça, e contou que havia decidido pular de paraquedas. Eu ri muito pensando que aquilo era uma piada, mas ele terminou dizendo que o salto de paraquedas seria realizado no dia seguinte pela manhã. Contou que havia tomado a decisão meses antes, sozinho, e depois seguiu com o plano: pesquisou as alternativas, contratou o serviço, recebeu orientações a respeito do procedimento e agora estava tudo pronto. No sábado ele estaria realizando um salto duplo de paraquedas, agarrado num paraquedista profissional, se jogando de avião no interior de São Paulo.
Aí perguntei: “Mas você está pronto?”. Ele respondeu imediatamente: “Eu estou super pronto, mas morrendo de medo. A minha mulher me pede todos os dias para eu pensar melhor”. Rimos um bocado e dei um enorme abraço nele pela coragem de fazer algo tão radical.
No sábado à tarde, recebi uma mensagem com fotos dele saltando no infinito, cenas incríveis para quem tinha dificuldade de encarar a janela do prédio onde mora. No fim da mensagem uma frase mágica: “Foi a melhor experiência da minha vida”.
Cinco anos depois daquele salto de paraquedas, há uma semana, nós saímos para almoçar mais uma vez e celebrar algo muito especial. Durante esse período o meu amigo voltou a saltar mais vezes de paraquedas, aliás, muito mais vezes. O que era um desafio virou vício.
Em pouco tempo, ele deixou de saltar acompanhado e passou a saltar sozinho, não somente no interior de São Paulo, mas em outras cidades no Brasil e no mundo. Também experimentou outras opções de salto, como parapente e asa delta. Há dois anos ele enfrentou pela primeira vez uma montanha russa, foi num parque da Disney World com a esposa e filhos. Ele disse que as pernas tremeram assim que sentou no carrinho do brinquedo. Saiu de lá com as pernas ainda trêmulas, mas entrou de novo na fila da mesma montanha russa. Naquele dia, ele andou naquela montanha russa mais de dez vezes em sequência e comemorou a vitória. Saiu dos parques da Disney tendo andado em todas as montanhas russas… todas! O medo de altura virou paixão pela altura, mesmo que suas pernas ainda enverguem quando ele aproxima do parapeito da janela de seu apartamento.
Perguntei se ele ainda tem medo de altura. Ele respondeu: “Muito medo, minhas pernas tremem e sempre acho que vou desmaiar”. E retruquei: “Mas porque você não sente nada quando pula de paraquedas? Qual é a magia?”. Ele respondeu: “Eu sinto, mas não sei o que acontece. Antes de saltar, ainda dentro do avião, o meu coração fica acelerado e estou apavorado de medo. Às vezes, me pergunto porque estou ali. Mas depois, já nos primeiros segundos no ar, eu entro em outra dimensão e sinto a melhor sensação da minha vida. Estou saltando há quase cinco anos e a sensação de cada salto é exatamente a mesma que tive no primeiro salto: um medo imenso seguido de um enorme prazer. Não consigo descrever. É uma espécie de vício”.
Esse meu colega, que preservo o nome aqui, teve um enorme crescimento pessoal e profissional desde então. Ele é realmente outra pessoa. Era um sujeito acanhado, inseguro e introvertido. Ao longo desse tempo, simultaneamente aos saltos de paraquedas, ele passou a fazer coisas que não fazia antes: fez um curso de história, que era um sonho antigo, mudou de profissão entrando numa área completamente nova para ele, morou seis meses sozinho – longe da família – por conta de um curso que desejava fazer e outras coisas que não cabem citar aqui. Ele realmente virou uma lição de vida para mim. Mudar de profissão e morar no exterior, longe da família, são iniciativas que dão medo, como o salto de paraquedas, mas ele tomou coragem e enfrentou esses medos.
Nesse último almoço, voltando a falar sobre o enfrentamento do medo no salto de paraquedas e sobre outras decisões que contei acima, ele me disse a frase mágica que grudou na minha mente: “Aprendi uma coisa: se você tem medo de alguma coisa, se joga nela”.
A mensagem do meu colega nunca foi tão atual. No momento da sociedade em que vivemos, com tudo se transformando de forma acelerada e dogmas sendo derrubados, com profissões desaparecendo e se transformando, negócios tradicionais derretendo e novos negócios surgindo, a todo o momento temos a chance de pular de paraquedas em algum abismo que desconhecemos. Nós somos desafiados todos os dias a mudar, mas instintivamente reagimos à mudança porque nos sentimos inseguros quando enfrentamos o desconhecido, o novo e a incerteza. Em vez de nos lançarmos, nós nos recolhemos. Enfim, precisamos pular mais de paraquedas.
(Escrito por Mauro Segura e compartilhado por uma amiga super especial)
4 de nov. de 2016
2 de nov. de 2016
Minha cama
Minha família se mudou uma vez durante os meus 25 anos de vida. Vivíamos em um apartamento e no auge dos meus 5 anos nos mudamos para a casa onde vivemos até hoje. Minha mãe conta que achei a ideia maravilhosa: estava empolgada, ansiosa com as novidades. Mas, na hora de dormir, soltei a frase:
- Quero ir dormir na minha cama.
Minha mãe, rapidamente, respondeu:
- Mas ela está aqui, no seu novo quarto.
Ao que eu retruquei:
- Não! Quero minha cama, meu quarto! É hora de dormir! É hora de voltar!
Não lembro desse momento, mas obviamente me acostumei com a ideia de ver minha família morando em outro lugar. Acho que a possibilidade de ter um jardim me conquistou.
Anos se passaram e no auge dos meus 25 anos, após ter vivido quase 1 ano e meio com o meu namorado em um apartamento (super) pequeno no Centro Histórico de Porto Alegre, me via novamente em frente a uma mudança: íamos nos mudar para um novo apartamento, ainda na capital, mas no bairro Partenon. Demorei para lembrar da situação que vivi há 20 anos. Acho que quando somos adultos costumamos ter a falsa impressão que nada vai nos assustar, nada vai nos dar medo, nada vai abalar nossa coragem de encarar qualquer mudança. Grande engano. Continuo sentindo medo e dessa vez não foi diferente.
A perspectiva de um novo apartamento, de novos hábitos, me deixou apavorada. Eu e meu namorado, acredite. O passo de ir a Porto Alegre foi difícil, mas nunca imaginei que essa mudança seria tão complicada. Primeiro o sentimento era de stress: encarar a escolha de um novo apartamento, uma mudança, as vistorias com a imobiliária, ligar luz, desligar luz... ninguém me avisou que é tão difícil ser adulto.
Com tudo resolvido, era hora da mudança. Não participei do processo de levar todos os móveis (a soma do que cada uma das mães enviou para nós), pois precisava trabalhar em Arroio do Meio. Mas não resisti: no sábado, após 2 dias estressantes que meu namorado encarou sozinho, fui até o Centro Histórico de Porto Alegre me encontrar com ele para finalizarmos a limpeza do apartamento alugado e irmos em direção ao apartamento do Partenon. Maior, mais seguro, mais bonito. Era claro e óbvio que a mudança era o certo a fazer.
Então foi fácil sair do apartamento antigo? Não, nem um pouco.
Lá foi o primeiro lugar que compartilhei com alguém que não fosse minha família. Foi lá que descobrimos que nosso amor era realmente muito grande (afinal, se acostumar com as manhas e manias da pessoa amada dia após dia não é fácil). Foi lá que criamos nossos hábitos, nossas manhas e manias como casal. Cada espaço do chão e das paredes nos faziam lembrar algo.
Então ficamos ali sentados, no chão da sala agora vazia e cheia de eco, relembrando os bons momentos e os que pareciam péssimos quando aconteceram. Como esquecer quando o trinque da porta ficou na mão? A quantidade de vezes que o ralo da cozinha/lavanderia entupiu ou o vento frio que entrava pela janela do banheiro? Mas, até esses momentos de perrengue, faziam a saudade antecipada doer. Choramos, com medo de perder tudo o que construímos ali, com medo de encarar outro desafio, medo de virar a página, de mudar de capítulo. Até a hora de fechar a porta foi difícil: era impossível não lembrar quando arranquei o cartaz de "aluga-se" dela.
Saímos com uma difícil despedida do porteiro mais querido, Seu Lutero, que foi até presenteado com uma doce caixa de bombons. Contar com ele nas tantas semanas que começávamos a encarar Porto Alegre foi um alívio. Já no táxi, entre baldes, rodos e vassouras, meu coração apertou ainda mais. Era o fim, de fato. A partir dali o meu endereço era outro, meu destino era outro, o capítulo era outro.
Chegando no apartamento novo, com muita coisa para arrumar e limpar, apenas olhei para o meu namorado e disse: "ok, gostei, mas quero ir dormir na minha cama."
31 de ago. de 2016
Empreender
Há dias (na verdade, meses) penso em escrever um texto relacionado à essa imagem e, depois de duas situações, sinto que finalmente chegou a hora.
Uma delas, há algumas semanas atrás, aconteceu quando entrei no ônibus em Lajeado com destino à Arroio do Meio depois de uma reunião. Aliás, uma não: duas reuniões, que se seguiram da primeira hora da tarde até 17h30. Estava eu sentada, mergulhada em pensamentos, muitos deles relacionados às tarefas que eu ainda tinha a cumprir naquele dia, quando me deparo com a seguinte frase, vinda de dois homens sentados nos bancos atrás de mim: "o chefe é que tá bem: fica com todo o dinheiro, enquanto a gente trabalha."
Guardei aquilo para mim.
A outra aconteceu no último sábado, quando participei de mais uma edição do Juntos e Misturados na Sulati, onde empreendedores (solitários, com equipe ou como colaboradores) se encontram para trocar angústias e ideias. Precisei parar para pensar o que gostaria de falar para aquelas pessoas e logo essa imagem me veio à lembrança e a situação que vivi no ônibus também.
Para o empreendedor, a realidade é dura. Dói, de verdade. Não pense que é fácil. Convivo com pais empreendedores desde que me conheço por gente e hoje converso todos os dias com os meus clientes, também empreendedores. Fui de estagiária à empreendedora e confesso que naquele momento não pensei nas consequências. Parecia até romântico abrir minha própria empresa, ter meu CNPJ. Mas a realidade não é bem assim. O sofrimento, a luta, os desafios e as angústias são diárias.
Mas aí vem o detalhe, o tal "pulo do gato": quem empreende de verdade, ama. Ama aquilo que faz com todas as forças. Acorda todos os dias sabendo que quer ir lá e fazer. Não se importa com os hematomas e cicatrizes. Pelo contrário: veste a sapatilha para mostrar a todos aquilo que mais ama fazer. Aquilo que escolheu como sua vida. Que escolheu como seu empreendimento.
Por isso, fica minha mensagem aos 2 homens do ônibus: ao olhar seu chefe ou alguém de muito sucesso, não esqueça que por detrás da sapatilha, há pés que lutaram para estar ali, que amaram muito para estar ali. E, que só estão ali, porque decidiram fazer o que mais amam e envolver outras pessoas nesse amor.
Uma delas, há algumas semanas atrás, aconteceu quando entrei no ônibus em Lajeado com destino à Arroio do Meio depois de uma reunião. Aliás, uma não: duas reuniões, que se seguiram da primeira hora da tarde até 17h30. Estava eu sentada, mergulhada em pensamentos, muitos deles relacionados às tarefas que eu ainda tinha a cumprir naquele dia, quando me deparo com a seguinte frase, vinda de dois homens sentados nos bancos atrás de mim: "o chefe é que tá bem: fica com todo o dinheiro, enquanto a gente trabalha."
Guardei aquilo para mim.
A outra aconteceu no último sábado, quando participei de mais uma edição do Juntos e Misturados na Sulati, onde empreendedores (solitários, com equipe ou como colaboradores) se encontram para trocar angústias e ideias. Precisei parar para pensar o que gostaria de falar para aquelas pessoas e logo essa imagem me veio à lembrança e a situação que vivi no ônibus também.
Para o empreendedor, a realidade é dura. Dói, de verdade. Não pense que é fácil. Convivo com pais empreendedores desde que me conheço por gente e hoje converso todos os dias com os meus clientes, também empreendedores. Fui de estagiária à empreendedora e confesso que naquele momento não pensei nas consequências. Parecia até romântico abrir minha própria empresa, ter meu CNPJ. Mas a realidade não é bem assim. O sofrimento, a luta, os desafios e as angústias são diárias.
Mas aí vem o detalhe, o tal "pulo do gato": quem empreende de verdade, ama. Ama aquilo que faz com todas as forças. Acorda todos os dias sabendo que quer ir lá e fazer. Não se importa com os hematomas e cicatrizes. Pelo contrário: veste a sapatilha para mostrar a todos aquilo que mais ama fazer. Aquilo que escolheu como sua vida. Que escolheu como seu empreendimento.
Por isso, fica minha mensagem aos 2 homens do ônibus: ao olhar seu chefe ou alguém de muito sucesso, não esqueça que por detrás da sapatilha, há pés que lutaram para estar ali, que amaram muito para estar ali. E, que só estão ali, porque decidiram fazer o que mais amam e envolver outras pessoas nesse amor.
30 de dez. de 2015
Desafio
Consigo descrever meu 2015 com uma palavra: desafio. Viver os 365 dias desse ano que vem chegando ao fim foi um desafio. Um verdadeiro desafio. Mas isso não é ruim, não! Afinal, é isso que move, que leva pra frente.
No início de 2015, formei pessoas muito especiais. Digo "formei" porque estava lá, porque torci durante a trajetória, porque senti que eram pedacinhos meus que se formavam, que alcançavam uma das conquistas mais felizes da vida. Amigas de infância, amigas de faculdade, namorado. Vi todos com um diploma, muitos sonhos e um desafio nas mãos.
Também decidi voar. Voltei a estudar, comecei a morar com o meu namorado, enfrentei a capital do meu estado. A escola dos sonhos, o receio de não dar certo, o pavor de uma cidade grande. Confesso que quase deixei a ansiedade e o desespero falar mais alto no início. Mas respirei, ganhei abraços, fui em frente. Encarei o desafio. Hoje me sinto em casa na escola, fiz grandes amizades, descobri que sim, estou com o meu grande amor, e que Porto Alegre não é tão assustadora assim.
Consegui, mas ainda é um desafio. Por isso, faço das palavras da Ruth Manus, as minhas:
"A vida de quem inventa de voar é paradoxal, todo dia. É o peito eternamente divido. É chorar porque queria estar lá, sem deixar de querer estar aqui. É ver o céu e o inferno na partida, o pesadelo e o sonho na permanência. É se orgulhar da escolha que te ofereceu mil tesouros e se odiar pela mesma escolha que te subtraiu outras mil pedras preciosas.
No início de 2015, formei pessoas muito especiais. Digo "formei" porque estava lá, porque torci durante a trajetória, porque senti que eram pedacinhos meus que se formavam, que alcançavam uma das conquistas mais felizes da vida. Amigas de infância, amigas de faculdade, namorado. Vi todos com um diploma, muitos sonhos e um desafio nas mãos.
Também decidi voar. Voltei a estudar, comecei a morar com o meu namorado, enfrentei a capital do meu estado. A escola dos sonhos, o receio de não dar certo, o pavor de uma cidade grande. Confesso que quase deixei a ansiedade e o desespero falar mais alto no início. Mas respirei, ganhei abraços, fui em frente. Encarei o desafio. Hoje me sinto em casa na escola, fiz grandes amizades, descobri que sim, estou com o meu grande amor, e que Porto Alegre não é tão assustadora assim.
Consegui, mas ainda é um desafio. Por isso, faço das palavras da Ruth Manus, as minhas:
"A vida de quem inventa de voar é paradoxal, todo dia. É o peito eternamente divido. É chorar porque queria estar lá, sem deixar de querer estar aqui. É ver o céu e o inferno na partida, o pesadelo e o sonho na permanência. É se orgulhar da escolha que te ofereceu mil tesouros e se odiar pela mesma escolha que te subtraiu outras mil pedras preciosas.
E começamos a viver um roteiro clássico: deitar na cama, pensar no antigo-eterno lar, nos quilômetros de distância, pensar nas pessoas amadas, no que eles estão fazendo sem você, nos risos que você não riu, nos perrengues que você não estava lá para ajudar. É tentar, sem sucesso, conter um chorinho de canto e suspirar sabendo que é o único responsável pela própria escolha. No dia seguinte, ao acordar, já está tudo bem, a vida escolhida volta a fazer sentido. Mas você sabe que outras noites dessa virão."
Para minha sorte, encontrei uma ótima companhia para enfrentar tudo isso.
Para minha sorte, encontrei uma ótima companhia para enfrentar tudo isso.
Enfim, quando pensei que nada seria mais desafiador do que tudo isso, resolvo participar de um treinamento, depois de um ano repleto de cursos e palestras. Era um treinamento vivencial, com experiências que prometiam uma transformação pessoal. "Balela", pensei. Mas, nos 45 minutos do segundo tempo, decido tentar. Vou, sozinha. Lá, descubro minhas fraquezas e potenciais. Saio fortalecida, como nunca imaginei estar. Hoje, procuro as respostas em mim mesma.
27 de out. de 2015
9 de out. de 2015
Sobre
o texto mais lindo que já escreveram para mim.
"Eu não sei se você acredita em anjos, destino ou Deus, mas eu acredito e tenho certeza de que Deus, enquanto observava eu me desviar lentamente do destino que havia traçado naquele caderno em que rabiscara a minha vida, mandou um anjinho para me lembrar por onde deveria andar. Se você acha que ainda não conheceu um anjo, feche os olhos e lembre-se daquela pessoa que, naquele dia difícil, segurou a sua mão, talvez não tenha dito muitas palavras, mas sabia exatamente o que você estava vivendo e poderia até não compreender completamente as suas escolhas, mas estava do seu lado, te protegendo daquilo que te fazia sentir medo. Esse é um dos seus anjos.
Caio Fernando Abreu escreveu certa vez que “em um deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra.” Quando encontrei a menina do paninho de dormir reconheci de imediato um dos meus anjos. Gosto de comparar amigos, poucos e seletos, a anjos da guarda. Aquela menina se tornou muito rapidamente uma amiga seleta, a mais seleta eu poderia dizer. Com ela passei a dividir quase tudo o que eu tinha, parecia pouco, mas a amizade multiplica as histórias e os sentimentos.
A menina do paninho de dormir me ensinou muitas coisas com seu jeito singular de enxergar a vida e o mundo ao seu redor. Sua maneira de transformar a trivialidade do dia-a-dia em momentos delicadamente especiais, fazia com que os dias fossem mais prazerosos de se viver. Como todas as amizades, nossa lealdade foi provada em fogo e tempestade. Sobrevivemos queimadas, cicatrizadas. Permanecemos unidas.
Guardamos segredos, como o do paninho de dormir. Nunca me importei de dividir a amizade com ele, afinal eu cheguei depois e ele também não reclamou do espaço que eu ocupei. Tanta coisa chegou depois de mim, mas permanecemos, eu e o paninho de dormir, irredutíveis em nosso posto oficial de melhor amiga e amigo de infância, respectivamente.
Amigos e anjos, qual é mesmo a diferença? Talvez os amigos não tenham asas e os anjos sejam intocáveis, por isso abraçamos os amigos e sonhamos com os anjos. Dormindo a gente pode voar e acordado a gente também pode sonhar. Pela amizade e proteção, agradeço à menina do paninho de dormir, por me ter reconhecido tão imediatamente."
Taíssi Alessandra Cardoso da Silva | Fora de Época
7 de out. de 2015
O poder da verdade
Em setembro fui a um evento com a ideia de aprender mais sobre a minha profissão, sob o ponto de vista técnico. Eis que, entre a série de palestrantes, me deparo com a blogueira Cris Guerra e sua fala sobre "o poder de
ser de verdade".
Ela diz: "eu me
intitulei modelo, me coloquei na passarela" e tem orgulho de poder expressar sua opinião através do seu trabalho, por compartilhar conteúdo com muitas pessoas e por transmitir autenticidade a elas. Isso tudo porque ela acredita que a verdade
estreita a relação, eleva o nível de envolvimento.
Acompanhei todo esse raciocínio, mas só conseguia pensar e refletir sobre o título da palestra: "o poder de ser de verdade". Como isso é difícil! Como encontrar sua verdade? Depois, como defendê-la com todas as suas forças? Mas a verdade tem poder sim. Tem poder e reflete o seu amor pelo próximo, disso não tenho dúvidas.
30 de set. de 2015
29 de set. de 2015
7 de jul. de 2015
O alto preço de viver longe de casa
*Daqueles textos que dá vontade de beber cada palavra.
Muito além do valor do aluguel.
Voar: a eterna inveja e frustração que o homem carrega no peito a cada vez que vê um pássaro no céu. Aprendemos a fazer um milhão de coisas, mas voar… Voar a vida não deixou. Talvez por saber que nós, humanos, aprendemos a pertencer demais aos lugares e às pessoas. E que, neste caso, poder voar nos causaria crises difíceis de suportar, entre a tentação de ir e a necessidade de ficar.
Muito além do valor do aluguel.
Voar: a eterna inveja e frustração que o homem carrega no peito a cada vez que vê um pássaro no céu. Aprendemos a fazer um milhão de coisas, mas voar… Voar a vida não deixou. Talvez por saber que nós, humanos, aprendemos a pertencer demais aos lugares e às pessoas. E que, neste caso, poder voar nos causaria crises difíceis de suportar, entre a tentação de ir e a necessidade de ficar.
Muito bem. Aí o homem foi lá e criou a roda. A Kombi. O patinete. A Harley. O Boeing 737. E a gente descobriu que, mesmo sem asas, poderia voar. Mas a grande complicação foi quando a gente percebeu que poderia ir sem data para voltar.
E assim começaram a surgir os corajosos que deixaram suas cidades de fome e miséria para tentar alimentar a família nas capitais, cheias de oportunidades e monstros. Os corajosos que deixaram o aconchego do lar para estudar e sonhar com o futuro incrível e hipotético que os espera. Os corajosos que deixaram cidades amadas para viver oportunidades que não aparecem duas vezes. Os corajosos que deixaram, enfim, a vida que tinham nas mãos, para voar para vidas que decidiram encarar de peito aberto.
A vida de quem inventa de voar é paradoxal, todo dia. É o peito eternamente divido. É chorar porque queria estar lá, sem deixar de querer estar aqui. É ver o céu e o inferno na partida, o pesadelo e o sonho na permanência. É se orgulhar da escolha que te ofereceu mil tesouros e se odiar pela mesma escolha que te subtraiu outras mil pedras preciosas.
E começamos a viver um roteiro clássico: deitar na cama, pensar no antigo-eterno lar, nos quilômetros de distância, pensar nas pessoas amadas, no que eles estão fazendo sem você, nos risos que você não riu, nos perrengues que você não estava lá para ajudar. É tentar, sem sucesso, conter um chorinho de canto e suspirar sabendo que é o único responsável pela própria escolha. No dia seguinte, ao acordar, já está tudo bem, a vida escolhida volta a fazer sentido. Mas você sabe que outras noites dessa virão.
Mas será que a gente aprende? A ficar doente sem colo, a sentir o cheiro da comida com os olhos, a transformar apartamentos vazios na nossa casa, transformar colegas em amigos, dores em resistência, saudades cortantes em faltas corriqueiras?
Será que a gente aprende? A ser filho de longe, a amar via Skype, a ver crianças crescerem por vídeos, a fingir que a mesa do bar pode ser substituída pelo grupo do whatsapp, a ser amigo através de caracteres e não de abraços, a rir alto com HAHAHAHA, a engolir o choro e tocar em frente?
Será que a vida será sempre esta sina, em qualquer dos lados em que a gente esteja? Será que estaremos aqui nos perguntando se deveríamos estar lá e vice versa? Será teste, será opção, será coragem ou será carma?
Será que um dia saberemos, afinal, se estamos no lugar certo? Será que há, enfim, algum lugar certo para viver essa vida que é um turbilhão de incertezas que a gente insiste em fingir que acredita controlar?
Eu sei que não é fácil. E que admiro quem encarou e encara tudo isso, todo dia.
Quem deixou Vitória da Conquista, São José do Rio Preto, Floripa, Juiz de Fora, Recife, Sorocaba, Cuiabá ou Paris para construir uma vida em São Paulo. Quem deixou São Paulo pra ir para o Rio, para Brasília, Dublin, Nova York, Aix-en-provence, Brisbane, Lisboa. Quem deixou a Bolívia, a Colômbia ou o Haiti para tentar viver no Brasil. Quem trocou Portugal pela Itália, a Itália pela França, a França pelos Emirados. Quem deixou o Senegal ou o Marrocos para tentar ser feliz na França. Quem deixou Angola, Moçambique ou Cabo Verde para viver em Portugal. Para quem tenta, para quem peita, para quem vai.
O preço é alto. A gente se questiona, a gente se culpa, a gente se angustia. Mas o destino, a vida e o peito às vezes pedem que a gente embarque. Alguns não vão. Mas nós, que fomos, viemos e iremos, não estamos livres do medo e de tantas fraquezas. Mas estamos para sempre livres do medo de nunca termos tentado. Keep walking.
*Obrigada Ruth Manus!
29 de abr. de 2015
1 de abr. de 2015
Ser feliz
Muitas são
as opiniões sobre os benefícios e malefícios da Internet. Eu, apesar de grande
admiradora, sempre tento me manter crítica com relação a ela. Mas, essa semana,
algo aconteceu: compartilhei uma foto que contava sobre o início do meu MBA em
Marketing Digital (justamente). Imediatamente várias pessoas curtiram e
comentaram a foto, me desejando sorte. Aquilo que me encheu de otimismo e
coragem. Com o meu celular em mãos eu não me senti mais sozinha. Pelo
contrário: consegui perceber, de forma mais tangível, que todos estavam com o
pensamento lá, comigo.
Como já
dizia a música, “é impossível ser feliz sozinho”. Ou, em uma metáfora mais
próxima da rede Facebook, a conclusão do personagem principal do filme Na
Natureza Selvagem: “a felicidade só é real quando compartilhada.”
Compartilhar,
talvez seja essa a chave da felicidade.
24 de mar. de 2015
18 de mar. de 2015
Mergulho
Quando você se depara com uma piscina (lago, mar, rio) gelada você tem três opções:
1 - não entrar, afinal você nem tem tanto calor assim.
2 - entrar aos poucos, molhando primeiro os pés e só depois de muito tempo o corpo todo.
3 - mergulhar - rápido - sem pensar.
Na vida, eu nunca escolhi a primeira opção. Sempre tive vontade de conhecer, de sentir o calor do mundo, buscar experiências e viver. Mas escolher entre as duas últimas opções foi sempre mais difícil. Ir aos poucos ou mergulhar?
Há alguns anos optei pela segunda opção. Medo de morar fora de casa? Então estudei onde eu poderia ir e voltar todos os dias. Cansei? Sim. Mas fui sentindo aos poucos o frio da piscina, o medo de uma escolha.
Em 2015 tudo mudou. Durante a virada de ano eu me joguei, de olhos fechados em uma piscina congelante. Medo? Sim, senti. Sinto ainda, na verdade. Mas fico feliz que agora estou com o corpo todo na água gelada, entregue com a minha alma a uma nova experiência.
13 de fev. de 2015
8 de dez. de 2014
Little
Um personagem que me faz lembrar de um dos personagens mais importantes da minha vida. De pequena ela não tem nada. É grande de coração e altura. Tanto, que me fez enxergar que a Comunicação e a Publicidade contam histórias com personagens tão lindos quanto o Pequeno Príncipe.
13 de nov. de 2014
17 de out. de 2014
1 de out. de 2014
Let It Go
A minha música da colação, que coincidentemente, combinou até com o meu vestido.
"É engraçado como alguma distância faz tudo parecer pequeno
E os medos que um dia me controlaram não podem me alcançar mais
É hora de ver o que posso fazer
Para testar os limites e ultrapassá-los
Sem certo nem errado, sem regras para mim
Estou livre"
(Let it go - Idina Menzel)
Obrigada Marina, minha estilista!
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