Dizem que encontramos a maturidade ao completar 18 anos. Discordo, depois de hoje sou da opinião que só nos tornamos adultos após a primeira ida a Porto Alegre, de ônibus, sozinhos. De Veríssimo a Carpinejar, vários já devem ter escrito algo sobre o assunto, mas também tenho minha história.
O sol ainda não tinha dado as caras quando peguei o ônibus em Lajeado. Primeira linha, o balanço embalou meu sono até as proximidades de Canoas.
Na rodoviária de Porto Alegre, após pedir informações (como uma boa interiorana), fui ao banheiro pago mais próximo. Aliás, fica a dica: são R$ 1,75 que evitam as surpresas dos banheiros comuns. Não fiquei por lá mais de 10 minutos, mas tenho a certeza que conheci a maior fã de Madonna. O celular da atendente do banheiro tocou um milhão de vezes (o exagero é de minha parte) enquanto eu estava lá. Like a Virgin, no mais alto volume. Sorri ao sair e até pensei em agradecer por ela não optar pelo ringtone do Michel Teló ou algo do gênero.
Mas, hora de pegar um táxi até a Rua Dona Margarida, onde aconteceria meu curso. Escolhi a dedo o táxi mais tunning de Porto Alegre e região metropolitana. O motorista, com óculos de sol a caráter, com certeza já havia fumado o que os pulmões aguentavam. Ele, além de levar-me ao destino desejado, também demonstrou toda a potência do seu veículo, com aceleradas e ultrapassagens.
O curso, intitulado Estratégias Criativas nas Redes Sociais, reuniu pessoas de diferentes áreas dispostas a aprender e conversar, principalmente. Lá fora se ouvia de tempo em tempo os estrondos dos pousos e decolagens do aeroporto Santos Dummont, ali próximo. Imediatamente lembrei-me de quando levei meu amor pela Comunicação até Londrina. Fiquei aliviada em pensar que ainda não desisti.
O almoço foi em um restaurante muito simples, mas a conversa foi riquíssima. Cada um compartilhou seus talentos esquecidos e sua constante falta de tempo. Em meio a uma Porto Alegre turbulenta fizemos o que poucos fazem: sentamos e conversamos, nos conhecemos.
Meu retorno no fim da tarde não poderia ter sido em um táxi mais velho, nem com mais chuva dentro da Rodoviária. Lá, a bondade de uma senhora me surpreendeu: aconselhou-me não usar o celular com chuva, que poderia atrair raios. Sorri, existem pessoas boas, aqui, lá, em qualquer lugar.
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